Quarta-feira, 21 de outubro de 2026 Saúde e bem-estar para todo o Brasil
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SONO: O ELO PERDIDO ENTRE A SAÚDE E A DOENÇA

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Por Dr. Thanguy Gomes Friço | ProAtivas – Saúde, Felicidade e Bem-Estar

Durante muito tempo, o sono foi tratado como uma função secundária do organismo, quase como um intervalo passivo entre um dia e outro. Mas a ciência vem mostrando exatamente o contrário: o sono está entre os pilares mais importantes da saúde humana.

Hoje, cada vez mais, compreendemos que o sono é o elo perdido entre a saúde e a doença.

Quando dormimos bem, o corpo se recupera, o cérebro organiza informações, a memória se consolida, os hormônios se equilibram, o sistema imunológico se fortalece e o metabolismo funciona de forma mais eficiente. Quando dormimos mal, porém, uma série de desequilíbrios começa a se instalar de maneira silenciosa e progressiva.

A privação de sono ou a má qualidade do sono está associada ao aumento do risco de ansiedade, depressão, obesidade, diabetes, hipertensão, queda de produtividade, dificuldade de concentração, irritabilidade, acidentes e redução da qualidade de vida.

Por isso, a falta de sono de qualidade precisa ser encarada como uma das grandes epidemias do século XXI.

Vivemos em uma sociedade hiperconectada, acelerada e estimulada o tempo inteiro. Trabalhamos mais, usamos telas até tarde, carregamos altos níveis de estresse e, muitas vezes, passamos a tratar o sono como algo negociável. Dormir menos virou, para muitos, quase um símbolo de produtividade — quando, na verdade, pode ser um caminho silencioso para o adoecimento.

O mais curioso é que, ao longo da vida, aprendemos muitas habilidades. Aprendemos a correr, a nadar, a estudar, a trabalhar, a dirigir, a usar tecnologia. Mas ninguém nos ensinou a dormir.

E talvez esse seja um dos grandes desafios do nosso tempo: precisaremos ensinar as pessoas a dormir.

Dormir bem não depende apenas de “deitar e fechar os olhos”. Envolve rotina, ambiente, comportamento, exposição à luz, equilíbrio emocional, hábitos noturnos, alimentação, manejo do estresse e, em muitos casos, orientação especializada.

Por isso, falar de saúde daqui para frente será, obrigatoriamente, falar de sono.

Será necessário investir em capacitações em sono, tanto para profissionais quanto para empresas e para a população em geral. Precisamos levar educação sobre sono para o ambiente corporativo, para as escolas, para os serviços de saúde e para dentro das famílias.

Ensinar higiene do sono, conscientizar sobre os impactos da privação de descanso, reconhecer distúrbios do sono e desenvolver hábitos saudáveis será uma estratégia essencial de promoção da saúde.

No contexto corporativo, isso se torna ainda mais importante. Colaboradores com sono inadequado tendem a apresentar mais fadiga, menor capacidade de foco, pior tomada de decisão, mais falhas operacionais, mais acidentes e menor rendimento global. Portanto, promover sono de qualidade também é uma forma de promover segurança, produtividade e bem-estar nas organizações.

O sono não é perda de tempo. O sono é investimento biológico.

Talvez uma das grandes revoluções da saúde nos próximos anos seja justamente esta: deixar de enxergar o sono como algo automático e começar a tratá-lo como uma competência que pode — e deve — ser desenvolvida.

Porque, no fim das contas, dormir bem não é luxo. É necessidade. É prevenção. É tratamento. É qualidade de vida.

E ensinar as pessoas a dormir pode ser uma das mais importantes missões da saúde no século XXI.

Foto: Dr. Thanguy Gomes Friço