Por Dr. Thanguy Gomes Friço | ProAtivas – Saúde, Felicidade e Bem-Estar
Nunca se falou tanto em suplementação alimentar. Vitaminas, minerais, proteínas, creatina, colágeno, ômega-3, antioxidantes e inúmeros outros produtos passaram a fazer parte da rotina de milhões de pessoas.
As prateleiras das farmácias estão cada vez mais cheias, a publicidade nas redes sociais cresce diariamente e novas promessas de saúde, energia, longevidade e desempenho aparecem a todo momento.
Mas existe uma pergunta que poucas pessoas fazem antes de comprar um suplemento:
Será que eu realmente preciso tomar isso?
A verdade é que muitas pessoas estão gastando centenas, às vezes milhares de reais por mês, com suplementos que não são necessários, não possuem benefícios comprovados para sua condição ou simplesmente não são adequados às suas necessidades.
E aqui está um conceito fundamental: suplementar bem não é tomar mais produtos. É utilizar aquilo de que o organismo realmente precisa, na dose certa, pelo tempo adequado e com uma finalidade bem definida.
Suplementação não é sinônimo de saúde
Existe uma tendência crescente de acreditar que, quanto maior o número de suplementos utilizados, melhores serão os resultados.
Mas o organismo humano não funciona dessa maneira.
Uma pessoa pode utilizar dezenas de produtos e continuar apresentando uma alimentação inadequada, noites mal dormidas, sedentarismo e níveis elevados de estresse.
Nenhum suplemento consegue compensar completamente hábitos de vida ruins.
Os principais pilares da saúde continuam sendo alimentação equilibrada, atividade física, sono de qualidade, equilíbrio emocional e prevenção de doenças.
A suplementação deve ser encarada como uma ferramenta complementar, e não como um substituto desses cuidados.
Antes de pensar no que precisamos acrescentar à nossa rotina, devemos avaliar o que está faltando na nossa saúde.
O primeiro passo é conhecer as necessidades do organismo
Cada pessoa possui características e necessidades diferentes.
Idade, sexo, composição corporal, alimentação, prática de exercícios, condições clínicas, medicamentos utilizados e objetivos individuais podem modificar as necessidades nutricionais.
Uma pessoa idosa pode apresentar demandas diferentes de um atleta. Uma gestante possui necessidades específicas. Um indivíduo com alimentação restritiva pode necessitar de nutrientes que outra pessoa obtém adequadamente por meio da dieta.
Por isso, não existe uma fórmula universal de suplementação.
O que funciona para uma pessoa pode ser desnecessário, ineficaz ou até prejudicial para outra.
Uma avaliação individualizada, realizada por profissional habilitado, permite identificar deficiências, fatores de risco e situações nas quais a suplementação pode realmente oferecer benefícios.
Exames laboratoriais podem ser úteis em situações específicas, mas não é necessário solicitar grandes painéis indiscriminadamente para todas as pessoas.
Nem todo suplemento funciona para tudo
Alguns suplementos possuem evidências científicas consistentes para determinadas finalidades.
A creatina, por exemplo, apresenta bons resultados na melhora do desempenho em exercícios de alta intensidade e no suporte ao desenvolvimento de força muscular quando associada ao treinamento adequado.
Suplementos proteicos, como o whey protein, podem ser úteis quando a alimentação não consegue atingir as necessidades diárias de proteína.
A vitamina B12 é essencial em situações de deficiência e pode exigir suplementação em determinados padrões alimentares ou condições clínicas.
A vitamina D pode ser indicada em circunstâncias específicas, especialmente quando há deficiência ou risco aumentado, mas sua utilização indiscriminada não significa maior proteção contra doenças.
O mesmo raciocínio se aplica ao ferro, magnésio, cálcio, ômega-3 e tantos outros nutrientes.
Uma substância pode ser excelente quando existe indicação e completamente desnecessária quando não existe.
O problema não está necessariamente no suplemento, mas na utilização sem critérios.
Mais nem sempre significa melhor
Outro erro frequente é acreditar que doses elevadas proporcionam benefícios superiores.
Na realidade, o excesso de determinadas vitaminas e minerais pode provocar efeitos adversos e até intoxicações.
Algumas vitaminas lipossolúveis podem se acumular no organismo. Doses excessivas de certos minerais podem interferir na absorção de outros nutrientes ou provocar alterações metabólicas.
Além disso, suplementos podem apresentar interações medicamentosas e contraindicações em pessoas com doenças renais, hepáticas ou outras condições clínicas.
Por isso, a segurança deve ser tão importante quanto a eficácia.
O objetivo não é consumir a maior quantidade possível de nutrientes, mas atender às necessidades do organismo com equilíbrio.
O marketing não pode substituir a ciência
Vivemos em uma época em que influenciadores digitais apresentam rotinas repletas de suplementos, muitas vezes associando produtos a promessas de rejuvenescimento, emagrecimento, ganho muscular, aumento de testosterona, melhora da memória e longevidade.
Mas precisamos diferenciar publicidade de evidência científica.
Antes de recomendar ou utilizar um suplemento, devemos fazer perguntas fundamentais:
- Existe comprovação científica de benefício para esse objetivo?
- A pessoa realmente apresenta necessidade ou indicação?
- Qual é a dose eficaz e segura?
- Por quanto tempo deve ser utilizado?
- Existem contraindicações ou interações medicamentosas?
- O benefício esperado justifica o investimento financeiro?
Essas perguntas ajudam a transformar o consumo impulsivo em uma decisão consciente.
Suplemento caro não significa suplemento melhor. E suplemento da moda não significa suplemento necessário.
O custo da suplementação desnecessária
Imagine uma pessoa que utiliza dez suplementos diferentes todos os dias, sem avaliação individualizada.
Ela pode estar gastando uma quantidade significativa de dinheiro sem obter benefícios proporcionais ao investimento.
Esse mesmo recurso poderia ser direcionado para uma alimentação de melhor qualidade, acompanhamento nutricional, atividade física, avaliação médica quando indicada ou outras estratégias com benefícios mais consistentes para a saúde.
É importante compreender que o dinheiro investido em saúde precisa produzir valor.
Não basta comprar produtos. Precisamos entender quais intervenções realmente fazem diferença.
A suplementação inteligente busca justamente isso: maximizar os benefícios, minimizar os riscos e evitar desperdícios.
Educação em suplementação também é promoção da saúde
Uma das grandes dificuldades da população é o excesso de informações e a falta de conhecimento para interpretá-las.
Muitas pessoas sabem o nome de dezenas de suplementos, mas não compreendem suas indicações, seus mecanismos de ação ou suas limitações.
Precisamos ensinar a população a fazer escolhas mais conscientes.
Da mesma forma que ensinamos alimentação saudável, qualidade do sono, atividade física e controle do estresse, também precisamos oferecer educação sobre o uso adequado de suplementos.
O objetivo não é estimular o consumo, mas desenvolver conhecimento.
Uma pessoa bem informada consegue compreender que nem toda deficiência exige a mesma abordagem, que nem todo produto anunciado possui eficácia comprovada e que nem toda promessa de benefício representa uma necessidade real.
O papel do ProAtivas nas empresas
No ambiente corporativo, a educação em suplementação pode contribuir para que os colaboradores desenvolvam hábitos mais saudáveis e utilizem melhor seus recursos financeiros.
Por meio do ProAtivas, buscamos levar informações científicas, claras e aplicáveis sobre alimentação, nutrição e suplementação responsável.
Nossa proposta é ajudar as pessoas a compreenderem quando determinados suplementos podem ser úteis, quando são desnecessários e por que a orientação individualizada faz tanta diferença.
Também queremos combater a ideia de que saúde depende da compra de inúmeros produtos.
Cuidar da saúde não precisa significar gastar cada vez mais.
Significa fazer escolhas melhores.
Ao desenvolver essa consciência, o colaborador pode melhorar sua relação com a própria saúde, evitar gastos desnecessários e levar esse conhecimento para toda a família.
O futuro da suplementação será a personalização
Estamos avançando para uma medicina cada vez mais individualizada, fundamentada em evidências e orientada pelas necessidades reais de cada pessoa.
Nesse contexto, a suplementação também precisa evoluir.
Não podemos continuar tratando indivíduos diferentes como se todos necessitassem dos mesmos produtos, das mesmas doses e das mesmas estratégias.
A verdadeira suplementação inteligente começa com uma boa avaliação, passa pela identificação das necessidades e termina com uma conduta segura, eficaz e financeiramente racional.
O melhor suplemento não é o mais caro, o mais famoso ou o mais vendido. É aquele que realmente faz sentido para você.
Precisamos ensinar as pessoas a cuidar da saúde com conhecimento, e não apenas com consumo.
Porque investir em saúde é fundamental, mas desperdiçar dinheiro com aquilo de que o organismo não precisa não é investir em saúde.
Suplementação inteligente é usar menos quando possível, usar o necessário quando indicado e obter o máximo de benefício com o mínimo de desperdício.
ProAtivas — Mais conhecimento, melhores escolhas e mais saúde.
Dr. Thanguy Gomes Friço
Médico, especialista em Ortopedia e Traumatologia, com formação complementar em Nutrologia, Fisiologia do Esporte, Ciência da Felicidade e Bem-Estar Corporativo.
Foto: Dr. Thanguy Gomes Friço


