Mudanças recentes no calendário vacinal dos Estados Unidos, associadas a posturas contrárias à imunização, resultaram no pior surto de sarampo no país em mais de três décadas, com mais de 4,4 mil casos confirmados e três mortes neste ano. A situação preocupa especialistas e autoridades sanitárias no Brasil, que monitoram o impacto do cenário internacional sobre as metas de imunização em território nacional.
Segundo o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil, Eder Gatti, o cenário norte-americano representa um retrocesso preocupante. O especialista destaca que a vacina contra o sarampo atua como agente de bloqueio e que a imunização adequada é a principal barreira contra a circulação do vírus.
A pressão externa repercute no Brasil, que registrou 61 casos da doença neste ano, majoritariamente com origem importada. Como o país não apresenta transmissão sustentada desde 2024, mantém a certificação internacional como área livre de sarampo, status conquistado após esforços conjuntos entre o Ministério da Saúde, estados e municípios para elevar as coberturas vacinais.
Cobertura vacinal e barreiras contra o vírus
Os índices brasileiros registraram recuperação nos últimos anos. Em 2024, a cobertura da tríplice viral alcançou 96% na primeira dose e 78% na segunda, patamares mantidos nas parciais preliminares deste ano, situadas em 95% e 80%, respectivamente.
Especialistas ressaltam que a manutenção de uma cobertura de 95% é indispensável para garantir a imunidade coletiva, protegendo recém-nascidos e pessoas com imunossupressão que não podem receber o imunizante. A vigilância epidemiológica brasileira tem atuado rapidamente no isolamento de casos suspeitos e no bloqueio vacinal em áreas afetadas, a exemplo de ações recentes realizadas em São Paulo e no Amazonas.
Entretanto, entidades como a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) alertam que discursos de desinformação propagados internacionalmente continuam a repercutir nas redes sociais, exigindo campanhas contínuas de conscientização e fortalecimento da confiança pública nas vacinas recomendadas pelas autoridades científicas.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil — conteúdo adaptado. Leia a matéria original.


