Cerca de 3,7 bilhões de pessoas, quase metade da população mundial, convivem com alguma doença bucal, segundo o estudo Global Burden of Disease 2023, publicado na revista The Lancet. A pesquisa analisou 370 doenças em 204 países entre 1990 e 2021: os casos de doenças bucais cresceram cerca de 35% no período, e a projeção é que passem de 4,5 bilhões em 30 anos. As condições mais comuns são cárie, doença periodontal e perda dentária.
Desigualdade e saúde mental
Para Fernanda Carrer, professora da Faculdade de Odontologia da USP, as doenças bucais são socialmente determinadas e atingem mais as populações pobres, remotas e com menor escolaridade; cárie, doença periodontal e perda de dentes são “marcadores de pobreza”. Ela lembra que a dor de dente é causa importante de faltas ao trabalho. Já Paulo Frazão, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, destaca o efeito na saúde mental: a perda dos dentes da frente pode reduzir muito a autoestima e levar ao isolamento e a sintomas depressivos, e receber uma prótese costuma melhorar a qualidade de vida.
E no Brasil?
O SUS conta com cerca de 33 mil equipes de saúde bucal nos 27 estados, e o programa Brasil Sorridente existe desde 2004. Segundo Frazão, o país hoje tem baixa prevalência de cárie pelos critérios da OMS, resultado da fluoretação da água e dos cremes dentais com flúor, mas ainda investe pouco em serviços odontológicos públicos e a falta de acesso ao tratamento continua prejudicando sorrisos e a economia.
