Quarta-feira, 21 de outubro de 2026 Saúde e bem-estar para todo o Brasil
Atividade Física e Bem-Estar

Exercícios com peso do corpo combatem fragilidade em idosos, aponta estudo da USP

Treinamento intervalado realizado em Unidade Básica de Saúde reverteu estado de fragilidade e melhorou capacidade funcional de pacientes idosos.

Idosos realizando exercícios físicos em programa de treinamento.

Pesquisa desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) demonstrou que um programa de treinamento intervalado realizado com o próprio peso corporal é capaz de reverter o estado de fragilidade em idosos, além de melhorar a força, o desempenho funcional e parâmetros da pressão arterial. O estudo foi conduzido com pacientes atendidos em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de Sorocaba, no interior paulista.

De acordo com o professor Francisco Luciano Pontes Júnior, orientador do trabalho na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, a fragilidade é uma condição clínica caracterizada pelo declínio em múltiplos sistemas fisiológicos. Isso reduz a capacidade do organismo de resistir a situações de estresse, como infecções, e eleva o risco de quedas, hospitalizações e dificuldades nas atividades cotidianas. No Brasil, a prevalência estimada da condição é de 9,1%, enquanto a pré-fragilidade atinge 51,8% da população idosa.

Treinamento adaptado e resultados observados

Durante seis meses, 60 participantes com média de 74 anos foram acompanhados no estudo. Eles foram divididos aleatoriamente em dois grupos: um realizou sessões de exercícios intervalados com o peso corporal três vezes por semana, enquanto o outro manteve suas atividades habituais como parâmetro de comparação. As sessões duravam 30 minutos, englobando aquecimento, 20 minutos de exercícios intervalados e alongamento. A intensidade progrediu de moderada para vigorosa ao longo do período, com variações de agachamentos e movimentos multiarticulares.

Os resultados mostraram melhoras progressivas a partir das primeiras 12 semanas. Entre os participantes que iniciaram o estudo classificados como frágeis, 80% passaram para a pré-fragilidade e 20% tornaram-se robustos. Entre os pré-frágeis, 69,2% alcançaram a classificação de robustos ao final de 24 semanas. Houve também redução na pressão arterial sistólica, melhora na força de membros inferiores, velocidade de caminhada e mobilidade.

Para os pesquisadores, a estratégia tem grande potencial de aplicação na atenção primária do SUS, visto que exige pouca infraestrutura e destaca a importância da atuação de profissionais de Educação Física nas UBSs. O artigo foi publicado na revista científica European Geriatric Medicine.

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Fonte: Jornal da USP — conteúdo adaptado. Leia a matéria original.