Por Dr. Thanguy Gomes Friço | ProAtivas – Saúde, Felicidade e Bem-Estar
Existe algo que praticamente todos os seres humanos têm em comum: o desejo de ser feliz.
Independentemente da idade, da profissão, da condição financeira ou do lugar onde vivemos, todos buscamos, de alguma forma, a felicidade.
Mas existe uma pergunta que raramente fazemos:
Se todo mundo quer ser feliz, por que tão poucas pessoas sabem explicar o que realmente é a felicidade?
Passamos grande parte da vida estudando, trabalhando, construindo patrimônio, buscando reconhecimento e tentando alcançar nossos objetivos. Aprendemos matemática, português, inglês, informática e inúmeras competências profissionais.
Entretanto, quase nunca recebemos uma educação voltada para aquilo que talvez seja um dos maiores objetivos da existência humana: aprender a viver uma vida mais feliz.
E o mais interessante é que a felicidade também pode ser estudada, compreendida, desenvolvida e até mensurada.
“Eu era feliz e não sabia”
Talvez uma das frases mais repetidas pelas pessoas seja: “Eu era feliz e não sabia.”
Essa expressão revela uma contradição impressionante da nossa existência.
Muitas vezes, só reconhecemos a felicidade depois que aquele momento já passou.
Sentimos saudade de uma fase da vida, de uma convivência familiar, de uma amizade, de uma experiência ou de uma rotina que, enquanto estávamos vivendo, parecia comum.
Isso acontece porque frequentemente condicionamos nossa felicidade a acontecimentos futuros.
Seremos felizes quando conquistarmos determinado emprego, comprarmos uma casa, ganharmos mais dinheiro, fizermos aquela viagem ou alcançarmos o próximo objetivo.
E, quando finalmente conseguimos, rapidamente encontramos uma nova meta.
Assim, corremos o risco de transformar a felicidade em um destino que nunca chega.
Precisamos aprender a reconhecer a felicidade enquanto ela está acontecendo, e não apenas quando se transforma em saudade.
Mas, afinal, o que é felicidade?
A felicidade é muito mais complexa do que simplesmente estar alegre.
Ela não significa sorrir o tempo inteiro, viver sem problemas ou experimentar emoções positivas permanentemente.
A ciência da felicidade estuda diferentes dimensões do bem-estar humano, incluindo emoções positivas, satisfação com a vida, relacionamentos, propósito, engajamento e realização pessoal.
Ser feliz também envolve aprender a enfrentar dificuldades, desenvolver resiliência, construir vínculos saudáveis e encontrar significado na própria existência.
Uma pessoa feliz não é aquela que nunca sofre, mas aquela que consegue construir uma vida significativa, mesmo reconhecendo que momentos difíceis fazem parte da experiência humana.
E aqui está um ponto fundamental: a felicidade não depende exclusivamente das circunstâncias externas. Existem habilidades, comportamentos e atitudes que podemos desenvolver para favorecer nosso bem-estar.
A felicidade pode ser medida?
Sim. Embora seja uma experiência subjetiva e multidimensional, a felicidade pode ser estudada por meio de instrumentos científicos.
Existem escalas validadas que avaliam satisfação com a vida, emoções positivas e negativas, bem-estar psicológico, propósito e qualidade das relações.
Essas ferramentas não conseguem resumir toda a complexidade da felicidade em um único número, mas permitem acompanhar diferentes dimensões do bem-estar ao longo do tempo.
Podemos, portanto, estudar a felicidade de maneira sistemática, identificar fatores que contribuem para uma vida satisfatória e avaliar os resultados de programas voltados à promoção do bem-estar.
Isso representa uma mudança importante: a felicidade deixa de ser apenas um tema filosófico e passa também a fazer parte das discussões científicas sobre saúde, educação e desenvolvimento humano.
Podemos aprender a ser mais felizes?
Essa talvez seja uma das mensagens mais importantes da ciência da felicidade.
Assim como aprendemos um idioma, desenvolvemos habilidades profissionais ou treinamos nosso corpo, também podemos aprender práticas que favoreçam o bem-estar emocional.
A psicologia positiva e outras áreas da ciência do comportamento estudam intervenções que podem contribuir para aumentar a satisfação com a vida e desenvolver recursos psicológicos.
Entre essas práticas estão o exercício da gratidão, o fortalecimento dos relacionamentos, a atenção plena, a realização de atividades com propósito, o cultivo de emoções positivas, a generosidade e a construção de hábitos saudáveis.
Nenhuma dessas ferramentas representa uma fórmula mágica para ser feliz, e seus resultados variam de pessoa para pessoa.
Mas existe algo extremamente valioso nessa descoberta: não precisamos esperar que a felicidade aconteça por acaso. Podemos desenvolver habilidades que nos ajudem a construir uma vida melhor.
Precisamos criar uma cultura de felicidade
Durante décadas, as organizações investiram intensamente no desenvolvimento de competências técnicas.
Ensinamos colaboradores a operar máquinas, utilizar tecnologias, melhorar processos, vender produtos e aumentar resultados.
Mas quantas empresas ensinam seus colaboradores a compreender o que é felicidade?
Quantas oferecem capacitações sobre propósito de vida, inteligência emocional, gratidão, relacionamentos saudáveis e bem-estar?
Quantas ajudam as pessoas a perceber que uma vida bem-sucedida não depende apenas de conquistas materiais?
Precisamos começar a construir uma verdadeira cultura de felicidade.
Uma cultura na qual as pessoas compreendam que o bem-estar não é um prêmio reservado para depois do sucesso profissional, mas uma dimensão fundamental da própria vida.
E essa transformação precisa acontecer nas escolas, nas famílias, nas comunidades e também nas empresas.
Empresas também precisam aprender a promover felicidade
O ambiente corporativo ocupa uma parcela significativa da nossa existência.
Por isso, não podemos separar completamente a felicidade da maneira como trabalhamos.
Empresas que valorizam respeito, segurança psicológica, reconhecimento, relações saudáveis, propósito e equilíbrio entre vida pessoal e profissional criam condições mais favoráveis ao bem-estar dos colaboradores.
Isso não significa exigir que as pessoas estejam felizes o tempo inteiro ou transferir exclusivamente para o trabalhador a responsabilidade por sua saúde emocional.
Significa reconhecer que o ambiente de trabalho pode favorecer ou prejudicar a qualidade de vida.
É nesse contexto que surge a proposta do ProAtivas, um programa de promoção da saúde, felicidade e bem-estar no ambiente corporativo.
Nossa missão é levar conhecimento científico e ferramentas práticas para que os colaboradores possam compreender melhor suas emoções, reconhecer os fatores que favorecem a felicidade e desenvolver habilidades para construir uma vida mais saudável e significativa.
Por meio de capacitações, buscamos trabalhar temas como ciência da felicidade, atenção plena, gratidão, propósito, qualidade dos relacionamentos, saúde emocional, sono e hábitos saudáveis.
Queremos que esses conhecimentos ultrapassem as paredes das empresas e sejam levados também para as famílias.
Porque quando uma pessoa aprende a cuidar melhor da própria saúde e do seu bem-estar, os benefícios podem alcançar todos aqueles que convivem com ela.
O futuro precisa de uma educação para a felicidade
Talvez estejamos diante de uma das grandes transformações necessárias na educação humana.
Aprendemos a ganhar dinheiro, mas nem sempre aprendemos a utilizá-lo de maneira que contribua para nosso bem-estar.
Aprendemos a conquistar resultados, mas nem sempre aprendemos a desfrutar das nossas conquistas.
Aprendemos a planejar o futuro, mas frequentemente esquecemos de viver o presente.
Precisamos mudar essa realidade.
A felicidade não deve ser tratada apenas como uma recompensa que esperamos encontrar no final da jornada.
Ela precisa fazer parte da própria caminhada.
O maior desafio não é simplesmente ensinar as pessoas a serem felizes o tempo inteiro, mas ajudá-las a compreender, reconhecer e cultivar a felicidade ao longo da vida.
Talvez, quando conseguirmos construir essa cultura, uma das frases mais repetidas pela humanidade finalmente comece a mudar.
Em vez de dizer:
“Eu era feliz e não sabia.”
Poderemos dizer:
“Eu sou feliz, reconheço a minha felicidade e aprendi a valorizá-la.”
Essa é uma das grandes transformações que queremos promover por meio do ProAtivas.
Porque felicidade também se aprende. E aprender a ser mais feliz pode transformar não apenas uma pessoa, mas uma família, uma empresa e toda uma sociedade.
Dr. Thanguy Gomes Friço
Médico, especialista em Ortopedia e Traumatologia, com formação complementar em Ciência da Felicidade, Mindfulness, Nutrologia, Fisiologia do Esporte e Bem-Estar Corporativo.
ProAtivas — Saúde, Felicidade e Bem-Estar.
Foto: Dr. Thanguy Gomes Friço


