O Serviço de Terapia Intensiva Pediátrica do Instituto da Criança e do Adolescente (ICr), vinculado ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), registrou 2.501 internações entre os anos de 2021 e 2025. O balanço representa uma média de cerca de 500 atendimentos anuais prestados a recém-nascidos, crianças e adolescentes que chegam em situação grave.
Além da complexidade assistencial, a instituição enfrenta um cenário desafiador compartilhado por todo o território nacional: a falta de médicos devidamente capacitados para atuar em terapia intensiva infantil.
Perfil dos pacientes e predominância de condições crônicas
De acordo com dados divulgados pelo professor Werther Brunow de Carvalho, titular do Departamento de Pediatria da FMUSP, 89% dos pacientes internados no serviço tinham ao menos uma condição crônica prévia. Entre os quadros clínicos de evolução prolongada mais frequentes na rotina hospitalar estão as agressões hepáticas e cerebrais crônicas, tecnicamente denominadas hepatopatias e encefalopatias.
A estrutura atual conta com três unidades operacionais dedicadas. Dois Centros de Terapia Intensiva Neonatal prestam suporte direto a recém-nascidos, enquanto um Centro de Terapia Intensiva Pediátrica acolhe crianças e adolescentes em condição crítica. Todos os anos, cerca de 1.500 recém-nascidos passam pelas alas neonatais, sendo que mais de um terço nasce prematuramente, exigindo suporte clínico intensivo.
Formação médica e demanda por leitos
Mesmo com a atuação assistencial especializada, o número de vagas disponíveis continua insuficiente para absorver integralmente a demanda regional por leitos de suporte avançado. O professor Carvalho alerta que, enquanto a necessidade assistencial cresce, a formação de novos intensivistas pediátricos e neonatologistas segue em ritmo inferior às exigências da saúde brasileira. Para superar essa barreira, especialistas defendem o reforço da formação médica básica, assegurando melhor preparo dos profissionais para o atendimento da alta complexidade.
Foto: Reprodução/HC-FMUSP
Fonte: Jornal da USP — conteúdo adaptado. Leia a matéria original.


